Inteligência Artificial: Para Onde Vamos?
Por Ricardo Cardoso Marques CRMPR 32199
Além de remover pessoas que aparecem por engano em nossas fotos ou criar vídeos improváveis de celebridades em cenários aleatórios, vislumbramos a ascensão de uma série de aplicações práticas para a inteligência artificial na área da saúde. Para iniciar essa conversa, apresentamos um vídeo que ilustra o estado atual dessa tecnologia:
Link para o vídeo
https://youtube.com/shorts/-CLAqZOfL2w?si=-vR1-UiWtFoUDEQO
O vídeo demonstra a capacidade da IA Gemini em auxiliar, em tempo real, na identificação de estruturas e insights enquanto uma tomografia é exibida na tela (você também pode testar com algum exame próprio através do site AI Studio). Com acesso a essa ferramenta, será que podemos reivindicar nosso RQE de radiologia?
A Calculadora Não Dispensa Saber Matemática
Um ponto importante a ser destacado é a necessidade de conhecimento técnico robusto para interpretar os dados e resultados fornecidos por essas ferramentas, garantindo sua aplicação no mundo real de forma responsável.
Não há previsão, ao menos no futuro próximo, de que tais ferramentas substituam o profissional médico ou seu raciocínio clínico. Contudo, a habilidade no manejo dessas tecnologias pode se tornar um diferencial competitivo. É esse raciocínio crítico que separa o uso adequado dos devaneios aleatórios gerados pelos algoritmos.
Gerador de Lero-Lero
Quem navegava sem rumo pela internet nos anos 2000 provavelmente encontrou alguma versão do chamado “gerador de lero-lero”. Para quem não se lembra, segue uma definição: “O Fabuloso Gerador de Lero-Lero v2.0 é capaz de gerar qualquer quantidade de texto vazio e prolixo, ideal para engrossar uma tese de mestrado, impressionar seu chefe ou preparar discursos capazes de curar a insônia da plateia.”
Ou seja, trata-se de um serviço capaz de criar conteúdo extenso e superficial a partir de um tema, preenchendo o vazio da criatividade humana. Infelizmente, esse tipo de produção carece de substância e impacto real. Conhecer as ferramentas disponíveis e desenvolver senso crítico apurado são essenciais para evitar que a inteligência artificial se torne apenas um “gerador de lero- lero”. Saber utilizar a IA com verdadeira inteligência é o desafio do momento.
A Resposta Será Tão Boa Quanto a Pergunta e as Fontes
As ferramentas popularizadas nos últimos anos demonstraram o poder dos algoritmos na organização de conteúdo e parametrizações complexas. Como ponto positivo, há a possibilidade de lidar com volumes massivos de informação que ultrapassam a capacidade humana. Por outro lado, enfrentamos o desafio da inundação de dados não estruturados acessíveis por essas plataformas.
No caso das interfaces com funcionalidade chatbot (como ChatGPT e Deepseek), fazer boas perguntas é essencial para obter respostas adequadas. A elaboração das instruções dadas aos modelos de linguagem — descrita como Prompt — já é objeto de ampla discussão.
A estratégia PICO (Paciente, Intervenção, Comparação e Resultados) tem sido utilizada como método eficiente para estruturar perguntas e buscar evidências nessas ferramentas, garantindo maior precisão nos resultados.
Além disso, mecanismos com indexação em plataformas consolidadas e curadoria especializada, como o OpenEvidence, foram desenvolvidos para oferecer respostas cientificamente mais embasadas.
No universo da inteligência artificial surgem soluções diversas para atender demandas variadas. Na auditoria médica isso não é diferente. Mesmo sem ferramentas específicas, apenas utilizando aplicações disponíveis ao público geral, auditores podem localizar evidências para subsidiar pareceres — sempre verificando as fontes e fundamentando-se em conhecimento teórico sólido. Gestores da área podem gerar relatórios automatizados com resultados das auditorias, facilitando a comunicação e tomada de decisões. Com ferramentas específicas para auditoria médica, as possibilidades se expandem ainda mais.
Nós Criamos o Futuro
O uso da inteligência artificial na auditoria médica representa um mar de oportunidades. Este é um momento em que criatividade aplicada à resolução dos problemas cotidianos pode ser o ponto inicial para descobrir novas utilidades da IA nesse campo.
Ferramentas proprietárias já estão disponíveis para otimizar o tempo dos auditores e auxiliar na tomada de decisões mais assertivas. Essas soluções abrangem desde mapeamento de riscos até revisão detalhada de contas médicas, cobrindo todas as etapas do processo de auditoria. À medida que tecnologias mais amigáveis e efetivas são desenvolvidas, a IA torna-se cada vez mais integrada às nossas vidas profissionais.
Ainda existe espaço para aplicações lúdicas ou superficiais que conferem à IA aspectos temporários ou até mesmo uma sensação de “bolha”. No entanto, estamos testemunhando gradualmente o uso profissional qualificado dessa tecnologia — fomentando nossa imaginação e criando novas oportunidades. A troca de experiências é essencial neste momento inicial para gerar novos casos bem-sucedidos.
Por isso deixo a pergunta: E você? Usa IA no seu cotidiano profissional?